ASSOMBRADA

Este é um bilhete de suicídio, mas não, não vou me matar.

Meu suicídio é ideológico, por isso faço o suficiente para que tudo que é meu se vá. Livro-me agora dos começos, dos meios e dos fins. Tanto os meus, quanto os que adquiri de todos que já encontrei.

Em meu suicídio ideológico, encontro o centro. Nele prevalece a consciência de minhas mãos, minhas pernas, e de minha ofegante respiração, enquanto a diária e armada luta contra mim mesma se dispersa sem perceber.

Em meu suicídio, provo que há fim no que não é neutro, e probabilidade no que nunca aconteceu.

No fim, garanto que a vida nunca foi o suficiente para atingir minha solidão. Pouco do que existe é suficiente para atingir este retiro que faço questão de cultivar tão veementemente a cada abrir de olhos de pequenas piscadelas.

Do fim, me alimento.

Diariamente.

Boa sorte!

Bom dia!

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